Passar da informação à prática

ITW_chris_addison.jpgChris Addison é coordenador de programa sénior no CTA para a gestão de conhecimentos. É ele quem coordena o modo como o CTA presta assistência aos parceiros na utilização da Web para a partilha de informações. © CTA

A Gestão de Conhecimentos (GC) é uma área em que o CTA está focado. O Centro tem apoiado o desenvolvimento de plataformas de GC para criar e partilhar informações entre diferentes regiões e intervenientes. A missão do CTA é multifacetada: fortalecer competências.

Qual a definição e prática de GC do CTA?

O conceito de GC surge pela primeira vez no início da década de 90, no seio da indústria das TIC, uma vez que as novas tecnologias permitiam que os conhecimentos das pessoas fossem registados e ficassem armazenados nos computadores – ou assim se pensava. Acreditava-se que estes conhecimentos pudessem ser geridos em bases de dados, facilmente recuperáveis a partir de qualquer ponto na rede e transmitidos ao leitor. Mas não seria assim. Durante os dez anos seguintes, o foco mudou à medida que as pessoas tomaram consciência de que os conhecimentos são pessoais e subjetivos, tendo ficado claro que existiam várias formas de partilhar informações. O próximo passo importante na estratégia da GC foi a ênfase dada à forma como as pessoas interagem em determinado ambiente, quer se trate de uma empresa, uma rede ou uma comunidade. Este passo revelou-se bastante profícuo, uma vez que pudemos compreender mais aprofundadamente as motivações por detrás da comunicação e da aprendizagem, bem como as ciências de gestão da informação e de medição do sucesso – todos eles fatores essenciais para gerir o fluxo de conhecimentos. O CTA concebeu uma abordagem integral em torno da ideia de um ecossistema de conhecimentos desenvolvido com a ajuda dos seus parceiros.

A abordagem do CTA à GC foi baseada num modelo em árvore: as raízes são as «pessoas» –as suas estratégias, valores, cultura, estruturas, governança, gestão, liderança, competências e funções. O tronco representa os «estimuladores» como, por exemplo, a comunicação, os sistemas e as tecnologias, a aprendizagem, a monitorização, a avaliação e a inovação. Os ramos são «processos de conhecimento», tais como a criação, a partilha, o armazenamento e a utilização dos conhecimentos. Por fim, os fatores externos são «fatores motivacionais», incluindo a participação, as influências externas e os recursos externos. O CTA utilizou esta ideia para identificar que organizações, como é o caso da Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD), já implementaram iniciativas a nível da GC e identificar as áreas em que as atividades de GC carecem de desenvolvimento.

Pode dar-nos alguns exemplos de atividades ou plataformas de GC do CTA?

As organizações e comunidades não pos-suem, muitas vezes, plataformas de comunicação internas de qualidade. Trata-se de desenvolver uma rede de pessoas que possam dinamizar e facilitar a partilha de conhecimentos. O CTA conta com uma longa experiência na formação de pessoas nesta área, contudo temo-nos focado na construção de plataformas que apoiem o debate de questões políticas, através de reuniões presenciais. Temos trabalhado com a Organização Pan-Africana de Agricultores (PAFO), estabelecendo ligações entre grupos regionais por forma a disponibilizar-lhes uma plataforma onde os membros possam debater questões políticas e apresentar estudos de caso. A plataforma foi criada com o intuito de contribuir para a agenda do briefing continental da PAFO, realizada juntamente com a conferência Fin4Ag do CTA em julho de 2014. As organizações de agricultores que unem esforços para apoiar a PAFO constituíram um grupo de 255 pessoas, provenientes de várias organizações associativas, para criar a plataforma. O CTA adotou uma estratégia semelhante com o grupo Melanasian Spearhead no Pacífico e está a iniciar um trabalho igual com o Mecanismo Regional de Pescas das Caraíbas.

Quais as principais dificuldades que teve de ultrapassar?

Para muitos dos nossos parceiros foi uma forma de trabalhar completamente nova. Alguns sentiram que, no início, foi uma verdadeira luta, mas que foi muito enriquecedor quando se deu início às conversações. A principal dificuldade foi estabelecer elos de confiança em toda a rede e definir claramente os objetivos comuns.

De que forma vê o futuro das práticas de GC do CTA?

O CTA produziu muitas informações para os países ACP com base nos nossos próprios recursos, mas o Centro tem de tirar maior proveito dos conteúdos produzidos pelos parceiros. Nos últimos 30 anos, o CTA alterou este equilíbrio, mas temos ainda de ir mais além e mudar a forma como encaramos a publicação. Espero que mais parceiros de desenvolvimento, governos e profissionais consigam ver os benefícios do investimento em abordagens e ferramentas de GC simplificadas, rentáveis e inovadoras. É importante aprofundar a investigação no sentido de evidenciar os custos inerentes à falta de partilha de conhecimentos e os rendimentos do investimento na GC.

Anne Perrin



 
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