Editorial-177O ano de 2015 é decisivo para o futuro do desenvolvimento sustentável. Nele têm lugar três eventos de alto nível onde serão tomadas decisões importantes, cujos impactos terão repercussões nas próximas décadas: a Conferência sobre o Financiamento do Desenvolvimento (FfD) em Adis Abeba, em julho, a Cimeira das Nações Unidas sobre a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, em setembro em Novo Iorque, e a Conferência sobre as Alterações Climáticas em Paris, no mês de dezembro.

A Cimeira das Nações Unidas em setembro aprovará os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que entrarão em vigor quando os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio chegarem a termo, no final de 2015. Entre os 17 objetivos e os 169 alvos propostos para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o objetivo 2 e os seus cinco alvos centram-se na segurança alimentar e nutrição e na agricultura, o que determina alvos específicos relacionados com a nutrição na redução do atraso de crescimento e da desnutrição debilitante entre as crianças. Os alvos são a melhoria da produtividade agrícola e dos rendimentos dos pequenos proprietários, o aumento da resiliência, o reforço dos investimentos em infraestruturas rurais, a redução das restrições e distorções comerciais e a proteção da biodiversidade.

A realização dos ODS dependerá da disponibilidade de recursos financeiros, daí a importância da Conferência sobre o Financiamento do Desenvolvimento, em julho, em Adis Abeba. Essencial é a procura de meios inovadores para mobilizar o financiamento, incluindo o setor privado. Dado o elevado nível de risco ligado à agricultura, os pequenos proprietários agrícolas e as pequenas e médias empresas têm dificuldade em obter crédito dos bancos. Várias organizações, entre as quais o CTA, exploraram as possibilidades de fornecer financiamento em cadeia de valor inclusivo, capaz de desbloquear capital para os pequenos agricultores e as PME. Também se espera que a Cimeira do Clima se debruce sobre problemas de financiamento.

Em todas estas discussões, o desafio será como traduzir as decisões de Adis Abeba, Nova Iorque e Paris em verdadeiros benefícios para milhões de agricultores através do mundo em desenvolvimento.

Michael Hailu
Diretor do CTA



 
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